Aurismar Mazinho Monteiro

Uma pena meramente entusiástica.

Textos


Semana da Pátria: apatias... apátridas... (I)

     Desde o dia 1º deste mês estamos na Semana da Pátria, que é o período comemorativo da Independência do Brasil, cujo fato histórico originado da “rebeldia” do então Príncipe Regente do Brasil e futuro imperador D. Pedro I, recebe enfática homenagem no dia 7 do corrente, com os desfiles cívicos, aí incluindo-se as paradas militares, desfiles estudantis, e inúmeras outras festividades por todo o País.
     Pois bem.
     Hoje, a caminho do trabalho, presenciei a exibição de umas escolas da cidade, que desfilavam celebrando a data cívica do Sete de Setembro. Lançando meus olhos sobre os desfilantes, deparei uma cena que me inspirou esta crônica: foi uma flagrante ausência de garbo nos componentes que ali marchavam. Atento a todo aquele regimento estudantil, eu observara que a maioria afigurava-se, para mim, como meros executores de movimentos (quase) cadenciados, tal era a apatia demonstrada e, de igual modo, um exagerado desalinhamento das fileiras, fazendo com que a exibição mais parecesse um simples amontoado de estudantes do que um desfile cívico. Isso sem contar que, entre eles, como se estivessem fazendo parte das fileiras em marcha, mas com menos garbo ainda, viam-se algumas pessoas totalmente estranhas ao evento, as quais supus serem parentes e amigos dos que marchavam... Mas imiscuídos?! Quebrando o encanto dos uniformes?! Fosse fora das fileiras, tudo bem...
     Epa! Eu disse “marchavam”?! Ora, eu não deveria usar esse termo, pois, "in casu", marchar requer cadência, movimentos garbosos, como se vislumbra nas paradas militares. Não é verdade? Cá para mim, a empolgação já não mais existe em muitos brasileiros, quando o assunto é homenagear a Pátria. Aliás, até creio que nem mesmo em paradas militares a garbosidade está tão presente. Pelo menos, não como outrora (refiro-me a períodos mais ou menos do início da década de 1990 para trás). Que me desculpem dessa opinião os integrantes da caserna, pois fui um deles por mais de vinte anos e conheço muito bem, tanto quanto respeito, o regime castrense. De igual modo, sei que a ausência de atitude varonil não recai sobre todos os soldados. Ressalte-se, meus amigos, não estou generalizando! Enalteça-se que o presente ponto de vista é dirigido somente aos que se encontram, de fato, nas situações a que ora me refiro, quais sejam, sem garbo, sem amor ao Brasil, sem ânimo para celebrar a Independência, etc. Mas é que, na atual conjuntura sociopolítica, é assim que penso. Mero ponto de vista, não sou dono da verdade.
     Ah, quanta emoção se sentia naqueles idos tempos! Como era belo, por dentro e por fora das pessoas, quando se falava em comemorar tão importante data cívica! Lembro-me de que, em épocas passadas, o amor à Pátria se fazia mais incutido no coração e no semblante do brasileiro. Havia, de fato, convincentes demonstrações de orgulho pelo País, especialmente por parte dos jovens, que possuíam mais fé nos projetos de investimentos então propalados pelos representantes do povo, em nome do progresso. Tais emoções decorriam, não somente do pundonor de cada um, mas também dos ensinamentos oriundos das escolas, nas quais se lecionava a extinta disciplina Educação Moral e Cívica (EMC), cujo conteúdo, como é de se perceber, direcionava os discentes de todos os níveis de escolaridade ao amadurecimento do senso de cidadania, patriotismo, respeito, dentre outras virtudes. Sabe-se que a referida disciplina possuía cunho eminentemente político, isto é, o de fazer com que os brasileiros, especialmente os jovens, se convencessem de que o governo de então, militar, portanto, era a forma democraticamente correta e ideal para o engrandecimento de toda a nação. Esclareça-se que não se quer, aqui, manifestar qualquer posicionamento favorável ou desfavorável ao regime de governo da época. Mas sim, apenas referir quão entusiasmado era o povo de outrora, principalmente quando em festividades cívicas. Registre-se que até mesmo fora dessas datas, como por exemplo, na seara do futebol, era diferente. Era mais ufanista, a participação dos torcedores, mormente quando em jogos da Copa do Mundo. Ah, mas quanto a este aspecto – o futebol – minha opinião, se um dia eu vier a tecê-la, será objeto de outra crônica!...


(Continua em Semana da Pátria: apatias... apátridas... (II)

Imagem: Internet - escolamariajuvenal.wordpress.com
AURISMAR MAZINHO MONTEIRO
Enviado por AURISMAR MAZINHO MONTEIRO em 07/09/2012
Alterado em 07/09/2017
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